AQUI e AGORA - Blog de conversas sobre a advocacia e o mundo

12
Fev 09

Morreu a italiana que há 17 anos se encontrava em coma.

Esta situação gerou uma polémica enorme em Itália, no Vaticano e no mundo.

Será que podemos decidir sobre a vida de uma pessoa sem saber a sua real vontade? Será que nos podemos substituir à sua consciência?

No meio desta discussão, abre-se novamente a porta à eutanásia e à morte medicamente assistida. Mas no entanto surge uma ideia diferente, que já se pratica em vários países (como é o caso de Espanha) que é o Testamento de Vida (ou de Morte).

Eu concordo genericamente com esta ideia, nem tanto com a ideia da eutanásia.

Na verdade custa-me pôr nas mãos de outra pessoa (um terceiro), por melhor preparada que ela seja para tomar a decisão, um peso tão grande. Como é que um terceiro (médico é certo) vai decidir se aquela pessoa vive ou morre, teríamos que ter uma lei muito apertada, com todas as situações bem previstas e com grande punição para o erro e para a falta de profissionalismo.

Já no entanto esse testamento é diferente. Primeiro que tudo trata-se da real vontade daquela pessoa e  trata-se de uma decisão tomada numa altura em que a pessoa se encontra consciente dos seus actos e sã.

Fazer, por livre vontade, um testamento a dizer que em situação terminal, eu não quero ser ligada a uma máquina e não quero ser medicada é completamente diferente de um médico, por mais experiente que seja, chegar ao pé de uma família e dizer: "já fizemos tudo agora penso que devem pensar em....".

Claro que ainda assim muitas vozes se levantam contra esta situação, alegando que a vontade de hoje pode não ser a de amanhã e depois a pessoa pode-se encontrar numa situação que não pode exprimir a sua vontade.

Este argumento é válido, mas na minha opinião, mais vale esta decisão tomada pelo próprio do que uma decisão terceira.

Outro argumento é que a vida deve seguir o seu curso, deve  ser o que Deus quiser. Mas este argumento não tem assim tanta validade. Porque se por um lado defendem a vida ao natural, depois aceitam que uma pessoa passe 17 anos ligada a uma máquina para viver...não tem lógica. Quando colocaram aquela pessoa nas mãos de Deus, a Igreja foi contra.

Sou a favor de podermos ser nós a decidir o que nos podem ou não fazer quando e se nos encontrarmos numa situação limite, de fim de vida. Penso que numa situação dessas, em que não conseguimos fazer nada, não vivemos apenas sobrevivemos, podemos desistir.

Desistir não é assim tão cobarde, muitas vezes até é um acto de coragem. É uma forma de dar paz a todos os que vivem ao nosso redor e que cuidam de nós.

Até ao meu regresso!

publicado por hic-et-nunc às 10:59

Pois tudo isso é muito simples de dizer, ou escrever, no entanto em meu entender essas são as soluções mais práticas para a resolução do problema que é uma vida que já nada produz. Em meu entender cara Bloger ninguém em altura nenhuma tem o direito de decidir sobre a vida e o seu fim, isto inclui como é lógico a própria vida. Uma questão para a Ilustre Bloger, O Suicídio? Deverá também ser aceite por a sociedade como um acto de coragem?
Na realidade estamos perante uma questão que tem a ver com valores morais e éticos numa sociedade. O maior bem é a Vida. Não se deve criar mecanismos jurídicos para acabar com esta em situação alguma ou facilitar o seu fim.
Cumprimentos
NRM
Anónimo a 12 de Fevereiro de 2009 às 12:34

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